segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016


  




Imagem: www.weg.net




“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto tu, só tu”...
NIETZSCHE

Viver como quem observa de uma sacada, envolto de um profundo inverno, mas a busca (in)dispensável pelos primeiros raios de sol que outrora, fora de um verão promissor.
Viver de sombras, mas nunca hesitar em buscar o sol.
Ser a escuridão da noite, mas na madrugada podre dormir agasalhado sob os braços da própria e resignada redenção.
Quem somos?! Nunca o saberia, embora os estudiosos tenham descoberto quem “nos vêm como são e nunca como somos”, mas deste profundo abismo, real e infinito – das varandas do ser – a completude que há em ser sozinho!
Uma nota musica destoada, para alguns, silenciada para outros, mas são notas de uma composição que seria, quem sabe, a nossa própria Ode.
Jaz como flores que perderam a cor e o perfume e estão jogadas nas estradas, sem o olhar cuidadoso daquele que passa – e  quando passa, também há de  passar sozinho!!



segunda-feira, 23 de novembro de 2015



Como disse o nosso poetamigo, Mário Bróis, "poema escrito a quatro mãos"!



REQUIESCAT IN PACE
Erilva Leite/Roberto Noir

Soturnal dama, excelsa e triunfante.
Quão bela és em tua torre eterna
Ninho de dor, ornada primavera
Lilases flores em cadáveres de infante!

Maviosa és em teu centro de justiça
Fazes do ser o mesmo e maravilhoso fim.
Trazes presa, aconchegada ao peito
Flores de sangue, escuro e fétido - que já foi carmim!

Tua companhia é o melhor remédio
Para quem experimentou o terrível mal,
Sofreu perseguições e ouviu maldosas falácias
Só resta esperar de ti um piedoso final!

Para quem não possui a hiperbólica vontade de viver
E não consegue remover o peso chamado vida
Só resta viver de forma religiosamente asceta
Enquanto monotonamente aguarda pela ida!

quarta-feira, 1 de julho de 2015






Fui convidada por Thalita Ferreira do blog: PockyGoth, para respondes alguns questionamentos.
O qual gostei muito e agradeço a lembrança!

1- Sou muito…? Sincera, por causa da minha sinceridade algumas amizades não duram tanto.

2- Não suporto…? Preconceito e mentira.

3- Eu nunca…? Bati em alguém ou apanhei.

4- Eu já briguei…? Já briguei por meus direitos na Justiça.

5- Quando criança..? Eu era doente demais e tomava muita injeção, motivo pelo qual hoje não sou tatuada.

6- Neste exato momento…? Parei de ler Dores do mundo de Schopenhauer para responder a essa TAG, e estou ouvindo música. "Draconian."

7- Eu morro de medo de…? De ficar sem os meus pais, acho que eu não aguentaria o tombo!

8- Eu sempre gostei…? De andar rasgada, ler bastante, ouvir música, principalmente – Rock!

9- Fico Feliz…? Vendo filme, comendo pipoca, deitada na rede lendo, escrevendo e rodeada de arte e de artistas!

10- Se eu pudesse…? Sarava as dores do mundo! Iria em todo lugar onde houvesse um grito aflito de socorro!

11- Se eu pudesse voltar no tempo…? Não teria perdido um momento sequer da minha vida com pessoas medíocres!

12- Adoro…? Comida chinesa, um bom cafuné  e chocolate.

13- Quero muito viajar…? Para Machu Picchu- Peru, Holanda e Japão.

14- Eu preciso…? Deixar de ansiedade.

15- Não gosto de ver…? Seres sendo maltratados.


quinta-feira, 25 de junho de 2015





Imagem retirada : http://pt.anawalls.com/imagens-de-caveira-papeis-de-parede-de-mesa-vector-flor-fundos-de-velas-material-livro/12801221800/



FENDA INERTE

No labirinto profundo
Em que dorme a minha sombra
Nem Jung ou Freud o saberia

As nuances letais da agonia
Da verve poética que do meu ser exala
Somente a orquestra sinfônica da fala

Contrapõe-se ao que me cala
Que é fria lápide
Tal fenda inerte

Preciso mais que flores vermelhas
Jogadas no esquife
 Para embelezar
Cada pensamento meu

Que bebe das leis  do ostracismo
Mas que é majestoso e suspenso
Nos portões a que nos iguala

Na frialdade deste chão,
Mas resplandecente  é  sempre – o berço
Que nos acolhe a vala!


Erilva Leite

sexta-feira, 12 de junho de 2015


INFINITO

No leito divino do amor em que embalaste os meus sonhos
Nossas mãos em  nossos corpos eram como preces
Um elo ou misto  de ternura e verdade
Veracidade na vastidão do eterno e do infinito que é amar!

Esqueci-me  de acordar do sonho e enxergar
Quão profunda é a vala em que se sepulta um sentimento
Quão profundas as chagas que sangram sem cicatrizar

Mas do alto do céu eu sei não se vê escombros
Na cruz tosca e atroz de cada assombro
Verte-se a dor torna-se ornado e bonito
Desce-se à tumba atroz do esquecimento para se alcançar o infinito!


sábado, 23 de maio de 2015





Vivemos hoje, infelizmente bem no meio um turbilhão de informações, um lugar entre quatro paredes de gente solitária, um quadro crítico onde se perde a única condição que temos “em sermos mais humanos”. O amor está perdendo o brilho, as relações são soltas, perde-se o interesse pelas pessoas, o amor parece hoje muito mais uma doença de seres frágeis, de seres desinteressantes. Alguém quis  formatar o nosso destino, as relações na visão deles - que devem ser iguais, pautadas num mesmo ideal e quem foge a regra é tido como um bicho esquisito. Fico a imaginar que isso tudo é uma forma de nos distanciar ainda mais da vida, das coisas triviais do dia-a-dia, porque temos quem nos arrume a casa, temos quem pode a nossa grama, plante e regue as nossas flores. Mas eu creio que há algo na vida que no berço da simplicidade nos traga a saúde que tanto precisamos, a saúde física, a saúde mental, a saúde espiritual, e olha que não cito nome de nenhuma  ideologia, mas já que somos seres com espírito, seres que pensam, seres que sentem, diante de tudo isso, sempre que eu penso, eu sinto muito! Sinto muito porque o dinheiro, a cor, o status social, as escolhas sexuais de gênero, as religiões nos tem separado... Fico triste porque somos seres de amor e viemos senão para amar o próximo, mais o próximo foi ficando cada vez mais distante e nos aproximamos para nos machucar, apontar os erros. Quem sou eu para falar de erros? E Jogar a primeira pedra? Somos todos membros de um mesmo sistema, precisamos urgentemente aprender a conviver as diferenças!

segunda-feira, 20 de abril de 2015







Hoje eu tive um sonho, não sei se movido pela febre ou pela sensação de medo por estar sozinha, senti a companhia de algo ou alguém ao meu lado como se canalizasse minha febre, senti-me como se fosse uma folha verde banhada de orvalho em uma manhã ainda sem sol, percebi de uma forma bela e plena que nós nunca estaremos sozinhos, que ao passo que se esperam a visita de anjos ou seres especiais, celestiais, divinos - temos sempre um vizinho, um amigo próximo nos trazendo um pouco da suavidade que perdemos no calor do meio-dia de tantas dúvidas e inquietações. Vendo assim, a vida e todos que nos cercam fica fácil perceber que em nenhuma vez somos gigantes o bastante para suportarmos os nossos fardos sozinhos, mas que haverá sempre alguém ou algo que vai suavizar os sentidos; a música, a poesia, a arte em geral. Remédios que podem ser tomados sem contraindicação. Fico a imaginar a dor das pessoas que não se abraçam porque o abraço cura a solidão, cura a falta de amor, nos da um sentido,  um norte, uma asa que cruza e desata os nós da insatisfação, da indiferença...


E por um instante tive a certeza de um amor genuíno, “algo que cresce”, sem medo, inclusive de perder, porque não se perde um amor, no mínimo ele se torna outra coisa que não fomos capazes ainda de entendê-lo... e ainda que não seja compreendido, ele existe e é o bastante... Como as flores que nascem no recôndito
das pedras e lá sobrevivem, “não esperam nada” eu espero somente a certeza de ser real - espero a chuva, o sol, o vento... Aprendi sorrir com a genialidade dos que nasceram pra isso, é um dom fazer rir, não amaria ninguém que não me fizesse dar boas gargalhadas ou tivesse a simplicidade de me encantar com as frases perfeitas e poéticas. Nunca podemos esquecer de olhar as flores e regar o jardim, olhar o por do sol e a lua e saber que nessa imensidão que é viver nunca estamos sós e que ainda que sejamos “meio loucos ou estranhos”, somos únicos... “bebendo de fontes várias”, fazendo o que seja, somos elos de uma corrente que não aperta, mas que possa agregar a diferença, pois há  riqueza esta na diversidade. E em um mundo particular ou não, também somos universos quando não cabemos dentro de si, precisamos transbordar. Isso é ser infinito, enxergar o grão de areia, a gota d’água, a florzinha mais singela, o pássaro que pousa... E estas coisas não podem ser vistas na pressa, mas na contemplação!! Contemplemos a vida, não exista, viva!! Não importa a idade que tenha, a vida sempre nos espera, há sempre uma curva, uma ponte, a margem do rio, a mão estendida, um sorriso - e sendo verdadeiro, serve-nos como prece, ainda que não saibas ou nem queiras rezar. É paz, e a paz é pra todo mundo! E todos ganhamos com ela!!